Desabafo.

Não tenho porque esconder. Ontem, na frente dessa tela de computador idiota, eu chorei por sua causa. E não foi a primeira vez, você sabe disso. Mas talvez tenha sido a última. Chorei porque, finalmente, tive a coragem de te dizer que eu te amei. Chorei porque você me disse que também me amou. Chorei porque essa história seria linda se fosse uma novela mexicana. Mas é a vida real. E, na vida real, é tarde demais pra deixar o “te amo” pro último capítulo.Hoje, a história é bem outra. Meu coração já não dispara mais quando te vejo. Você é quase uma pessoa como outra qualquer pra mim. Quase. No fundo, bem lá no fundo, sei que você não é simplesmente um transeunte qualquer quando cruza meu caminho. Sei que você fez a diferença na minha história. E foi você quem me fez perder o medo de me jogar, de me atirar, de mergulhar de cabeça. Você que fez eu ter vontade de abraçar o mundo. De sair sem direção. De dizer o que eu penso mesmo que as pessoas não gostem. De dizer o que eu sinto mesmo que as pessoas se assustem. De não ter medo de me expor. De ser transparente. De ser eu mesma. Ainda que esse “eu mesma” seja tola. Seja ingênua. Seja criança. Seja desavisada. Seja apressada. Seja afobada. Seja histérica. Seja ansiosa. Seja imediatista. Ainda que esse “eu mesma” precise de alguém, às vezes, pra parar de ser isso tudo.Foi com você que eu aprendi que amar vale à pena, mesmo que dê tudo errado no final. Aprendi que, quando a gente está do lado de quem a gente gosta, basta estar ali, na companhia certa. Mesmo que ela não diga nada. Que ela não te toque. Que ela não te beije. Quando a gente está com aquela pessoa, só isso basta. Só estar ali. Junto. Basta o olhar. O cheiro. O silencio. O calor do corpo. O pensamento que está exatamente ali, naquele instante.Eu me lembro como se fosse ontem. Eu, apaixonada por você. Você, o mais galinha da turma. Eu pensei que eu era só mais uma. Você me disse que eu tinha prioridade. Eu ri da sua cara. Você me pediu em namoro. Eu disse não. Você ficou sem entender nada. Eu chorei a noite inteira. Você procurou um novo amor. Eu vi que tinha te perdido. Você se encontrou em novos braços. Eu fui atrás. Você disse que já tinha outra. Eu novamente chorei. Você começou a distrair seus sentimentos. E eu a me morder por te ver com sua nova namorada.E a gente nunca mais se encontrou. Não pra falarmos de nós dois. Não pra assentarmos na porta da sua casa e você ficar me olhando daquele jeito que eu gostava. Nunca mais eu passei na sua casa enquanto você lavava seu carro. Nunca mais você pôde implicar comigo por eu usar óculos maiores que eu. Nunca mais nos encontramos sem que eu ou você estivéssemos namorando. O destino (ou sei lá o quê) separou a gente pra sempre, sem que a gente percebesse.Agora, sete anos depois, você vem me dizer que me amou de verdade. Só que a nossa hora passou. Ou a gente deixou passar. Hoje, aí está você, feliz (???) com sua namorada ou acabou, sei lá. Eu? Amei um ou outro cara. Me distraí com alguns. Mas aprendi a não deixar nada mais passar. Se a gente vai ficar junto novamente um dia? Não sei. O que sei é que o nosso tempo passou. E, quer saber? To chorando de novo depois de ter escrito tudo isso. Mas é um choro do bem. Um choro de alguém que aprendeu demais com você. Um choro de alguém madura o suficiente pra falar as coisas certas. Na hora certa. Pras pessoas certas. Ou pra falar as coisas erradas. Na hora errada. Pras pessoas erradas. Mas alguém madura pra simplesmente fazer o que está com vontade. Porque, daqui a seis anos, ou, quem sabe, 60, eu não quero lamentar ter perdido alguém por simplesmente não ter dito o que eu sentia.

1 Comentário:

Thiago Dominoni disse...

Um desabafo...Ai são tantos. E quando decidem aparecer as palavras nos invadem como uma chuva de granizo...

Nada como desabafar escrevendo, tão bom^^

...